Sábado, Abril 13, 2024

Ajuda internacional à transição energética em países pobres pode se tornar armadilha fiscal

Date:

Uma das notícias mais celebradas na última Conferência do Clima de Glasgow, a COP26 do ano passado, foi o anúncio de um acordo entre a África do Sul e diversos países desenvolvidos para destinar US$ 8,5 bilhões em financiamento para tirar o país africano da dependência de carvão na geração de eletricidade.

No entanto, a matemática da boa-vontade dos países ricos esconde alguns detalhes que sugerem o contrário: ao invés de ajudar, o acordo de transição energética pode virar uma armadilha para os sul-africanos, enterrando-os em mais dívida externa pelas próximas décadas.

Um levantamento divulgado pelo Climate Home mostrou que a esmagadora maioria dos recursos prometidos (97%) será composta fundamentalmente de empréstimos – ou seja, dinheiro que será emprestado à África do Sul e que precisará ser quitado, com juros, aos países financiadores.

Na maior parte dos casos, as condições são mais vantajosas do que seriam no mercado aberto, mas, ainda assim, o resultado será mais dívida para os sul-africanos pagarem no futuro. Do total prometido, míseros US$ 230 milhões serão doações propriamente ditas.

Em parte, essa arquitetura se deve à forma como os sul-africanos pretendem aplicar os recursos. O principal alvo é a empresa estatal Eskom, que está sobrecarregada por dívidas e incapaz de obter crédito no mercado.

A ideia é reestruturar a empresa e, a partir disso, atrair mais investimentos privados, esses voltados para reformar as usinas termelétricas e adaptá-las à geração de energia por fontes renováveis.

Por essa razão, o governo já garantiu a aprovação do plano, que também prevê – em proporção bem menor – investimentos na ampliação da rede de distribuição e na eletrificação da frota automotiva do país.

Para parceiros como EUA e Reino Unido, o acordo seria um framework para colaboração com outros países emergentes na transição energética, destravando novos investimentos em fontes renováveis de energia. No entanto, como o caso sul-africano é mais específico, uma replicação simples em outras nações pode ser insuficiente – e até mesmo indesejável para elas. 

Fonte: https://climainfo.org.br/2022/10/25/ajuda-internacional-a-transicao-energetica-em-paises-pobres-pode-se-tornar-armadilha-fiscal/

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_imgspot_img

Popular

Publicações Relacionado
Relacionado

China e Noruega pretendem reforçar a cooperação parlamentar com Angola

A presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, recebeu, quarta-feira, em Luanda, em audiências separadas, os embaixadores da China, Zhang Bin, e da Noruega, Bjornar Dahl Hotvedt, com os quais abordou o plano de cooperação entre os parlamentos.

Proposta de Lei da Actividade Mineira Ilegal é aprovada amanhã

A Proposta de Lei sobre a Actividade Mineira Ilegal volta, amanhã, a ser debatida na Assembleia Nacional para a sua aprovação na especialidade, para que medidas sejam tomadas contra todos os tipos de crimes aos recursos mineirais existentes em Angola.

Mining eventos partilha os progressos das etapas da cadeia de valores na 3º edição do Valentine`s Diamond Show

A Bumbar Mining orgulhosamente apresenta a terceira edição do Valentine’s Diamond Show, no dia 23 de Fevereiro de 2024, pelas 18h a 22h30, no Hotel Diamante em Luanda, um evento que visa promover e destacar os avanços da indústria diamantífera angolana.

Ataque do grupo Codeco mata 46 pessoas na RDC

Um total de 46 pessoas morreu num ataque de um grupo rebelde, o Codeco, contra um campo de deslocados no Nordeste da República Democrática do Congo (RDC) em Junho passado, confirmou ontem a Human Rights Watch (HRW).