Terça-feira, Maio 28, 2024

Tendências dos recursos minerais no mercado internacional

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O ouro tem sido, ao longo da história, um activo seguro de reserva e preservação de valor monetário ou patrimonial, e que em tempos de crise esta opção é largamente utilizada pelos investidores como forma de preservar as posições activas de investimento.

Estes investidores procuram “desesperadamente” por activos de refúgio que têm sido hoje bem representados pela classe de metais preciosos como o ouro e a prata.

Ao longo do ano o ouro registou ligeiras oscilações de preço, e está a ser negociado no mercado nova-iorquino (Comex) por 1.863,70 dólares por onça nos mercados de futuros, já o preço da prata cifrou-se nos 24,78 dólares americanos.

De entre um conjunto de factores que influenciaram a subida do preço do ouro, um tem sido veiculado pelos analistas como factor determinante –  A baixa de rendimentos dos títulos de tesouro; a depreciação da moeda americana; o choque externo da Pandemia da Covid-19 e  o aumento da procura do ouro.

O ouro tem uma visão de logo prazo, por esta razão os investidores inclinam-se hoje, para o seu perfil mais defensivo, devido as incertezas geradas pelos mercados, principalmente pela recente queda da divisa norte-americana face a moeda europeia o euro.

Portanto, quando se verifica uma queda do dólar, terá como reflexo o impulso a subida do metal precioso, uma vez que as commodities referenciadas em dólares ficam mais atractivas.

Outros factores que estão a causar insegurança nos mercados, são as expectativas geradas pela incerteza sobre a recessão mundial e a previsão de pressões inflacionistas a médio prazo derivadas do efeito dos planos de estímulo económico e injecção de liquidez nos mercados para garantir maior competitividade das economias.

A subida deste metal está também relacionada ao elevado nível de consumo nos países emergentes como a Índia e Turquia, que também fazem deste recurso uma reserva de valor da economia familiar.

Relativamente do lado da oferta espera-se uma expansão da venda de ouro a nível de mundial de cerca de 2% nos próximos dois anos, que depois tende a baixar, devido ao fraco investimento efectuado na descoberta de novas reservas de ouro, e torna-se cada vez mais caro a exploração de reservas por terem custos de produção elevados.

Devido a escassez deste metal, e o longo período de produção acima dos 6 anos, associada a retracção da produção devido a pandemia da Covid-19, torna-se propício a oscilação e o aumento do preço do ouro nos mercados internacionais, a tendência para baixar ocorrerá até o novo ciclo de produção. Este cenário permite que os investidores defendam a carteira de portfólios com grandes investimentos para reservas de valor.

Porém, a um senão, os analistas apelam a precaução pois esta rápida subida irá clamar por uma correcção ou mesmo poderá gerar uma bolha, alertando que  se acompanhe o fenómeno da subida das commodities de matérias primas com bastante prudência pela sua tendência altista. A acompanhar a subida do ouro, segue-se a subida do preço dos cereais, arroz, trigo e o milho a operarem algumas variações, já o preço da prata registou uma descida no mercado internacional.

Os analistas prevêem a manutenção da subida do ouro no início de 2022 e poderá atingir os USD 2.091,90 por onça, uma vez que a procura irá aumentar, acompanhando as taxas de crescimento da economia mundial em cerca de 4,3%, níveis superiores ao ano de 2019 que se situou em 2,5%.

No entanto, ainda existem muitas incertezas quanto a retoma da actividade económica com taxas de crescimento acima de 7%, devido aos riscos geopolíticos que ainda persistem, diversas economias emergentes e em desenvolvimento perduram alguns obstáculos sobre o processo de vacinação com impacto na redução da actividade económica.

E nesta perspectiva, em 2022 cerca de dois terços destas economias a recuperação da renda per capita não será efectiva na sua totalidade. A perspectiva global impõe a possibilidade de novas vagas de Covid-19 e por outro lado, o aumento do endividamento por parte dos países emergentes e em desenvolvimento. Desta forma, o ouro possivelmente continuará a ser uma aposta segura para acumulação e salvaguarda de riqueza.

São bons exemplos a nível do continente africano o Gana e a   África do Sul, que têm o ouro como a principal commodity para exportação. Angola tem grandes potencialidades para exploração deste mineral, incluindo outros, como o manganês, bauxite, alumínio, fósforo e ferro.

Devemos aproveitar a preferência que o investidor estrangeiro tem por Angola como destino de investimento que recai sobre o potencial que o país apresenta do ponto de vista dos recursos naturais.

Portanto, é importante crescer e desenvolver parâmetros de razoabilidade e sustentabilidade em que o investimento externo não se concentre apenas no sector petrolífero, mas que se reforce para outros sectores desde o financeiro, indústria mineira etc, e por esta via permitir a entrada de fluxos de investimento directo estrangeiro mais expressivos que os actuais.

Fonte: https://www.jornaldeangola.ao/ao/noticias/tendencias-dos-recursos-minerais-no-mercado-internacional/

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