Quarta-feira, Julho 10, 2024

Procura de gás traz investimentos a África

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Líderes europeus estão correr para as capitais africanas, ansiosos em encontrar alternativas ao gás natural russo, com o que despertam a esperança, entre os parceiros do continente, de que a guerra a Ucrânia possa modificar a relação desigual com a Europa, atraindo uma nova onda de investimentos em gás, apesar da pressão colocada em torno da transição energética, escreve, ontem, o “ J A ”.

O jornal de Angola lembra , num artigo consagrado à procura de gás em África, que o Presidente da Polónia, Andrzej Duda, foi ao Senegal, em Setembro, no afã de consumar aquisições, enquanto o líder do Governo alemão, Olaf Scholz, veio em Março ao continente, à procura da mesma coisa e disse ao Parlamento do seu país que a crise energética exige “que trabalhemos com países onde há possibilidade de desenvolver campos de gás” e ao mesmo tempo cumprir as promessas de redução das emissões de gases causadores do efeito de estufa.

“A guerra provocou uma viragem total”, declarou o assessor para Energia do Presidente do Senegal, Macky Sall. “A narrativa mudou”. A multiplicação de manifestações de interesse por parte da Europa está a levar a projectos energéticos novos e a acelerar outros, falando-se em ainda mais por vir.

A esperança nas capitais africanas é que a procura europeia leve ao financiamento de instalações de gás, jnão apenas para exportação, mas para consumo interno, uma questão que assume enorme importância em algumas partes do continente.

De acordo com o jornal, ministros italianos têm acompanhado gestores a Eni, uma das maiores empresas energéticas do mundo, a Angola, Argélia, República do Congo e Moçambique, onde um terminal de gás natural operado pela companhia deve começar a produzir numa questão de dias. A empresa discute, agora, com o Governo moçambicano a possibilidade da construção de um terminal adicional.

“Os mesmos europeus que ainda há dois ou tês meses nos pregavam sermões, dizendo não ao gás’, vêm dizer agora que querem um meio termo, diz a comissária de Energia e Infra-estrutura de União Africana, Amani Abou-Zeid. “Estamos a tentar sobreviver, mas, em vez disso, estamos a ser infantilizados”.

O argumento dos líderes africanos é que o gás natural, mais barato e limpo que o petróleo, deve servir de combustível para a transição energética do continente, enquanto é feita a passagem para fontes renováveis como a energia éolica e solar, com tem sido feito na Europa.

Antes da corrida ao gás africano, especialistas europeus esmeravam-se, entretanto, no argumento de que o desejo dos países africanos de extraírem gás está totalmente equivocado do ponto de vista da mudança climática.

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